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Relatos Selvagens: e se perdêssemos o controle?

O filme argentino "Relatos Selvagens"(2014) trouxe ao público um roteiro irretocável e uma experiência coletiva de êxtase e espanto. Diante de uma hiper-realidade, o que nos resta é somente o pensamento de que, realmente, a melhor comédia vem da tragédia. Com uma dose filosófica sobre a natureza humana feita de racionalidade e selvageria, o filme nos pergunta: e se perdêssemos o controle?

 

Dirigido por Damián Szifron e produzido pelos irmãos Almodóvar, Relatos Selvagens narra seis histórias diferentes sobre situações-limites vivenciadas por personagens à beira de um ataque de nervos. A grande dificuldade encontrada por eles em lidar com a razão nestas situações, não lhes permite outra maneira de agir a não ser com muita violência.

 

Esta violência que está presente na trama de Relatos Selvagens importa à psicanálise e sua tentativa de ler a sociedade contemporânea. Ela diz de um sujeito que não consegue mais dialogar com o outro; e na impossibilidade do dizer sua única opção é o ato de agredir. Por que perdemos o controle? Seria esta a pergunta a ser feita diante de um roteiro como o deste filme? Seria este o principal objeto de estudo para a psicanálise?

 

 

 

 Ricardo Darín protagoniza a história "Bombita", a de mais fácil empatia para os cidadãos que enfrentam a burocracia das grandes cidades.

 

 

Para o filme, basta o retrato perfeitamente criado de sujeitos contemporâneos frágeis em suas situações-limites... É um retrato preciso, porque consegue demonstrar o que há de mais humano em nós, a nossa falta de racionalidade diante do que é da ordem do sentimento... Não são somente situações de estresse, de acúmulo, mas parece como um chiste da própria vida. Há uma ironia, uma sabedoria instintiva, se possível assim dizer.

 

Quem somos à beira da racionalidade? A violência, então, seria uma maneira de gozar diante do absurdo? Talvez algo não vá bem na ordem instituída pela civilização, no caso atual ordenada pelo sistema capitalista e seu mais gozar – como a última historieta do filme "Hasta que la muerte os separe" - uma festa de casamento extremamente luxuosa, muita comemoração, euforia, felicidade, até quando a noiva descobre que foi traída pelo noivo, e mais, sua amante está presente na festa. E um cenário romântico se transforma em algo parecido com um filme de terror.

 

Já a história protagonizada pelo excelente Ricardo Darín, mostra um homem lutando contra o sistema e a burocracia urbana, e sua tentativa de vencer as barreiras da linguagem para resolver um simples problema de trânsito. Até que... não adianta! Sua única opção é explodir o estacionamento. 

 

Diante das reações violentas dos personagens está a tentativa de uma autorização de si mesmo para garantir o direito de sofrer, o direito de fazer valer suas intenções... Porque como Freud diz “o direito é o poder de uma comunidade, o direito é, ainda e sempre, violência”: a única maneira encontrada de sangrar uma angústia.

 

 

O Ateliê de Psicanálise, no ciCLO de estudos deste semestre, trabalhou o filme Relatos Selvagens e produziu seus próprios relatos. Uma ação direcionada para o exercício da violência sob palavra. Ela, que mata a “coisa”, como diz Lacan.

 

 Trailer oficial do filme "Relatos Selvagens".

 

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