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Ateliê de Psicanálise 

                          e outras artes

 _______ reinventar o fôlego . 

a invenção da psicanálise se faz no cotidiano da clínica psicanalítica

e do olhar para o mundo, a partir do sujeito a quem se escuta, 

"sobre o dito está o não dito

e o por dizer"  

Maria Gabriela Llansol 

é a partir da escuta da cidade, e da escuta que a clínica oferta no ofício de psicanalisar, que inventamos a ideia do ateliê de psicanálise, em meados do outono do ano de 2014, com início das suas atividades em agosto, com o convite lançado para o acontecimento do primeiro CiClO de estudos do ateliê: a invenção da psicanálise.

por ser um ateliê, a proposta gira em torno do saber psicanalítico a partir do conceito de produção: uma oficina, uma casa onde funciona o maquinário da fábrica; lugar de aprendizes e "mestres". trabalhar para saber. a transmissão da psicanálise pela via do encontro, na qual o sujeito aprende e transmite o que sabe, a seu modo. por isso, os estudos são atravessados por Conversações, tempo no qual os sujeitos são convidados a falar livremente dos textos, do contato com a psicanálise. uma aposta na transmissão da psicanálise, que  propõe a implicação daquele que dela quer saber.

além das Conversações como espaço de produção de significantes e saber, o ateliê propõe encontros com as outras artes, questionando os sujeitos sobre o que resta, ofertando meios de coleta dos resíduos, espaços de silêncio, mezanino para que possam inventar, criar a partir do que se experimenta. 

o ateliê planta-se, na cidade, como espaço de enlaçamento de conceitos e sujeitos, com a aposta de ser um lugar de encontro, de laços e letras, e com sua posição ética de atuar nos sintomas do cotidiano. ou seja, para além dos grupos de estudo, dos encontros de leitura e cinema, há algo que escorre: a reflexão sobre o que se passa nos arredores da vida: o amor, a violência, as relações sociais, as redes cibernéticas, pensando no singular e peculiar de cada um, uma vez que a psicanálise é a clínica do um a um. 

vivido o primeiro CiClO de estudos, o ateliê se abre um pouco mais nos seus interesses de se valer como uma clínica extensa: a psicanálise que atua no sintoma da cidade, que faz tentativas de escutar a cidade. é aí que propomos a ideia do "ateliê itinerante" e das "conversas de ateliê", como modo de aproximar e trazer para mais perto, a comunidade. é mais uma invenção, uma aposta, uma saída para aquilo que fora produzido no ateliê, como questão... queremos ouvir a cidade. queremos expandir a clínica. inventar estratégias para criar um tempo de compreender que interrompa a escalada da ação sem subjetivação -- que introduza uma questão sobre a causa do desejo. ou seja, interrogar o sujeito sobre o que vive de maneira automática, fazer o sujeito vir à tona. a psicanálise traz a oferta para que o sujeito fale, a fim de instaurar um desejo que não seja anônimo.  

           

assim, então, está posto o ateliê de psicanálise e outras artes: com suas meias verdades, seus saberes inacabados, suas falhas, faltas e furos. ainda bem. é na falta que o espaço para o desejo existe e insiste. e pode produzir: a gente subjetiva é na falta. é necessária alguma distância (intervalos, pausas, estradas, ausências, silêncios, reticências) para surgir o desejo. o outro todo (sem falta) é morte. e é na companhia da literatura, fazendo borda com o cinema, a poesia, a música, é que caminhamos nesse  "nosso jardim,  onde há florestas e pausas" , como nos lembrou Guimarães Rosa.

eis então, nossa invenção... nosso esboço nos lugares do corpo e da cidade: escuta, escrita e tessitura. fatias de verbo compartilhadas... pois é lá onde a fala se demite que começa o âmbito das violências. se no início era o verbo, que tenhamos direito ao verbo na retomada de nós mesmos.

claudia itaborahy ferraz

primavera de 2014, minas gerais